Diretores debatem desafios da gestão pública

Diretores debatem desafios da gestão pública

por Tania Pescarini


diretores

Em raro evento organizado pela Universidade de São Paulo, quatro gestores escolares debatem as dificuldades – e gratificações – de dirigir uma escola pública em São Paulo. Os desafios de cada  escola refletem a realidade das comunidades de que fazem parte.

Ao sul da maior cidade da América do Sul, São Paulo, resiste um dos últimos refúgios de vida selvagem da região metropolitana paulistana. A Área de Proteção Ambiental (APA) que cerca o rio Capivari-monos – rio limpo e vivo, em contraste marcante com a situação dos dois principais rios da capital, o Tietê e o Pinheiros – sofre com a ocupação ilegal, ameaça de desmatamento e proximidade da poluição. A cidade pressiona. Mesmo assim, sobrevive próximo à reserva a comunidade da EMEF Pedro Geraldo Schunck, onde Paula Mongolin é diretora. A comunidade fica na área metropolitana de São Paulo e a escola é da prefeitura.  “É um bairro com muitas árvores, cachoeiras e animais silvestres. Mas também tem muita pobreza”, afirma Paula. O Projeto Político Pedagógico se inspira no conceito de alfabetização ecológica, desenvolvido por Fritjot Capra. A escola também se organiza por meio de projetos. “Linguagem de tabelas, produção de textos, alfabetização, tudo é trabalhado dentro da lógica de projeto”, diz a diretora.

Na EE Dr. Luis Arrobas Martins, a realidade é um tanto diferente. A escola é uma das poucas da rede estadual que atendem crianças do ciclo I do Ensino Fundamental. Maria Carolina Jerônimo é a diretora que ajudou a escola a alcançar um dos Idebs mais altos da capital paulistana: 7,7, em 2015, para os anos iniciais do Fundamental. “O segredo é não ter ninguém abaixo do básico e aumentar o número de alunos no nível avançado”, acredita Maria Carolina. Ela afirma que a escola conseguiu zerar o número de alunos que ficam abaixo do nível considerado básico pelo Ideb em Língua Portuguesa. A boa localização da escola – próxima à hípica de Santo Amaro – também ajuda. Os alunos são frequentemente convidados a participar de eventos e uma reforma foi feita na fachada com dinheiro arrecadado em festas juninas, que também contribuíram para a instalação de data shows nas salas de aula.

A EMEI Pera Marmelo (CEU) é outra escola que não sofre com a falta de infraestrutura. A escola fica bem distante do centro da cidade, mas, por estar dentro de um Centro de Educação Unificado,  tem acesso a piscina, teatro, ateliê de artes, parquinho, entre outras coisas. A diretora, Daniela Zanellato, é a mais jovem entre os colegas. Também distante do centro e mais carente em infraestrutura – apesar de rica em ideias, pessoas e projetos –, a EMEF Caio Sergio Pompeu é dirigida por Carlos Roberto Medeiros Cardoso. Ele, que é filho de pai e mãe educadores, conta que sua escola investiu bastante em gestão democrática nos últimos anos. Não só pais e mães podem participar das decisões na EMEF Caio mas também os alunos. Vitor Paro já deu palestras por lá.

Desafios

No debate, apesar dos diferentes contextos sociais e culturais em que se inserem as escolas, percebe-se que elas enfrentam alguns desafios em comum. Um deles é a pressão religiosa sobre a escola pública. A EMEF Caio Sergio e a EE Dr. Luis Arrobas Martins, ambas comprometidas com a gestão democrática e a participação das famílias, provam que é possível insistir no ensino laico sem abrir mão da democracia. Outro desafio citado é o excesso de trabalho a que são submetidos os professores. “Eles têm apenas 100 minutos por semana para atividades pedagógicas coletivas”, comenta Maria Carolina. “Nossa maior dificuldade é manter professores. Muitos ficam doentes, pois acumulam cargos no estado e na prefeitura”, diz. Excesso de trabalho e remuneração modesta fazem, ainda, com que os professores acumulem problemas, o que acaba virando um problema também para a gestão. O diretor escolar sem talento para relacionamentos interpessoais e resolução de conflitos acaba sofrendo.

Facebookyoutube

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*