Educação Infantil na mira da comunidade internacional

Educação Infantil na mira da comunidade internacional



Estudo inédito conduzido em 8 países revela que a Educação Infantil está na mira de políticas públicas na comunidade internacional, seja com o objetivo de nutrir uma infância repleta de oportunidades de interação e aprendizado, seja como etapa de iniciação escolar.

A Associação Internacional de Avaliação Educacional – International Association for the Evaluation of Educational Achievement (IEA) – conduziu e publicou uma pesquisa em que reúne dados sobre a organização da Educação Infantil em 8 países: Rússia, Chile, Dinamarca, República Checa, Estônia, Itália, Polônia e Estados Unidos. Os dados levantados por Tony Bertram e Chris Pascal, coautores da pesquisa, mostram que os países estão investindo em regulamentação, currículo, monitoramento e políticas públicas para essa etapa da infância. Apesar da diversidade de práticas curriculares e modelos administrativos, os países em questão levam em conta estudos e incentivam práticas com o objetivo de monitorar a qualidade do ensino para crianças de zero a 6 anos.

Assim como faz a Base Nacional Comum Curricular para EI, diversos países estabelecem expectativas para o desenvolvimento cognitivo, físico, social e emocional das crianças. “A expectativa para as crianças varia conforme idade, os objetivos gerais da política (para Educação Infantil) do país, o currículo e expectativas culturais em relação à primeira infância como período formador. Estudos mostram que países onde o foco da educação de crianças de zero a 3 anos é a reparação para a escola geralmente valorizam um leque mais restrito de atividades (geralmente relacionadas ao trabalho com letras e números). Já em outros países valoriza-se mais a formação da criança para a cidadania, sua preparação para o aprendizado por toda a vida, ou mesmo a saúde e bem-estar geral da criança”, afirma o estudo. O Chile, por exemplo, foca o desenvolvimento da criança em três áreas principais: desenvolvimento social e pessoal, comunicação e relacionamento da criança com os ambientes social e natural. Já nos Estados Unidos, existem expectativas para o aprendizado de crianças de zero a 3 anos em ciências, matemática e leitura.

Padrões de qualidade

O investimento em formação e qualificação dos professores, bem como em remuneração adequada, está entre os principais indicadores de qualidade. Outro indicador importante é o número de alunos por professor. O estudo indica que o ideal é um máximo de 10 alunos por docente qualificado, ou dois professores em uma sala com 20 crianças. Dentre os países pesquisados, aquele com maior número de crianças por sala é o Chile, que relatou salas de aula de crianças de 2 anos com até 42 alunos.

Segundo os pesquisadores, uma pedagogia que promove o diálogo entre adultos e crianças pequenas, o que beneficia crianças desfavorecidas, é mais fácil de ser implementada em salas menores.

Desafio de definir o que é qualidade na EI

O trabalho de Tony Bertram e Chris Pascal revela certa tendência para estabelecer expectativas em relação ao aprendizado acadêmico de crianças cada vez mais jovens. Dos 8 países pesquisados, por exemplo, somente a Rússia não estabelece objetivos de aprendizagem em matemática e linguagem para crianças entre 3 e 6 anos de idade. Isso significa, na prática, que as crianças provavelmente começam a se envolver com letras e números nessa idade e podem ser testadas de acordo com ela. Nos Estados Unidos, já há quem reclame que o tempo reservado à brincadeira para crianças diminuiu porque os alunos estão sendo testados cada vez mais cedo. Em algumas escolas, crianças de 4 anos fazem testes de múltipla escolha para ingressar no jardim de infância.

Sabendo que, em outros países, há uma pressão para que crianças participem de atividades que envolvam conhecimento preparatório para a escola desde cedo, você acha que no Brasil devemos prestar atenção a quem advoga um aprendizado mais sistematizado na Educação Infantil?

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