A quarta revolução industrial e a educação

A quarta revolução industrial e a educação





Na Bett deste ano, falou-se muito sobre a quarta revolução industrial e o que ela significa para o futuro da educação e do trabalho. Além do desafio de abandonar uma sociedade que prezava pela normatização, em troca de uma que valoriza a criatividade, a quebra da hierarquia promete chacoalhar as relações na escola.

No século XX, o profissional bem-sucedido era aquele que conseguia permanecer em uma única empresa por muito tempo, sendo promovido, aos poucos, para cargos mais elevados dentro da hierarquia corporativa. A escola de então refletia a necessidade de preparar as crianças para esse futuro: a hierarquia na escola era rígida e os alunos deveriam ter disciplina e autocontrole, não interrompendo o discurso do professor. Além disso, o conteúdo era passado na lousa e as crianças deveriam fixá-lo fazendo uma série de exercícios de múltipla escolha, para os quais naturalmente haveria somente uma resposta correta. Crianças e jovens não poderiam opinar sobre a natureza das perguntas que constavam em avaliações, não formulavam hipóteses nem emitiam opiniões ou desenvolviam projetos de maneira autônoma. Não se preparava, enfim, os alunos para que gerenciassem o próprio trabalho, porque no ambiente de trabalho antigo haveria um gerente incumbido dessa tarefa.

Como acontece em toda transição histórica, o modelo antigo convive com o novo nas escolas e também na vida profissional. Assim como antigamente carros e cavalos dividiam as ruas, hoje a política hierárquica de cargos em empresas convive com uma cultura de trabalho mais livre e horizontalizada. Nas escolas, também, os antigos modos de ensinar convivem com os novos: ao mesmo tempo que cresce o interesse pelas pedagogias ativas e a organização do currículo por projetos, ainda organizamos os alunos por faixa etária, esperando que todos concluam o ano dominando a matéria. Muita energia é dedicada para que as crianças obedeçam e se comportem de maneira “adequada”, ou seja, normatizada. “O aspecto socioemocional do desenvolvimento das crianças é algo que deve estar presente, transversalmente, em todos os componentes curriculares. Mas é importante ter em mente que o trabalhador do futuro terá que saber fazer o que autômatos e sistêmatos não fazem”, afirma Luiz Carlos Menezes, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo e parceiro da Editora do Brasil. Ou seja, para ser bem-sucedido no futuro, é importante criar e refletir sobre o sentido do que fazemos.

Brasil e América Latina terão que se adaptar

Um dos convidados da feira foi o vice-presidente da área de educação da Microsoft, Anthony Salcito. Segundo ele, o percentual de vagas na multinacional que não são ocupadas porque não há gente qualificada saltou de 32% para cerca de 42% na América Latina. “Não há escassez de talentos no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. A mentalidade é que deve mudar”, afirma Salcito. Qual é a profissão do futuro, na opinião dele? Computação quântica e realidades virtuais.

Já uma área que deve sofrer com a entrada das inteligências artificiais é o Direito. Definitivamente, a profissão de advogado não vai desaparecer: a legalidade, o direito à ampla defesa e a igualdade perante a lei não perdem importância nenhuma. Porém, o trabalho em cartórios e tribunais tende a ser digitalizado e feito, majoritariamente, por máquinas.

Em outras áreas, a chegada das máquinas mostra o quanto será valorizado ser criativo e pensar “fora da caixa” no futuro. Por exemplo, enquanto a função de cozinheiro de fast food tende a desaparecer – tudo será feito por robôs –, o trabalho do cozinheiro autoral segue firme e forte.

Um trabalho que não desaparece é o de professor, apesar de as relações na escola mudarem. A escola não poderá mais ser disciplinadora e autoritária, mas sim inovadora e criativa.

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